A coleção de Mário Augusto de Castro e os carros que qualquer apaixonado queria ter na garagem

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 5 Min de leitura
Mario Augusto de Castro

À medida que os encontros de carros antigos foram crescendo pelo Brasil, um tipo específico de colecionador foi ganhando espaço nessas rodas: aquele que não coleciona por investimento, mas porque simplesmente não consegue largar. Mário Augusto de Castro é um desses. A relação com os carros antigos começa antes de qualquer análise de mercado, antes de qualquer planilha de valorização. Começa no som do motor, no cheiro de borracha queimada, na memória de ver um Opala SS dobrar uma esquina e sentir o chão vibrar.

Quem cresceu nos anos 1970 e 1980 no Brasil sabe exatamente do que se trata.

Os carros que marcaram uma geração inteira

Tem uma lista de modelos que qualquer brasileiro de certa idade reconhece de imediato. O Opala SS, com aquele visual de cupê americano, adaptado para o asfalto nacional. O Maverick Sprint e o ronco do V8 que não se confunde com nada. O Gol GTI, que apareceu no final dos anos 1980, mudou o que se esperava de um carro popular. O Golf GTI importado, raro, que quem tinha na época era tratado de outro jeito no semáforo.

Mário Augusto de Castro conhece essa lista de cor. Não porque estudou, mas porque viveu. Esses carros fizeram parte de um cotidiano brasileiro muito específico, de uma época em que o carro que você dirigia dizia muita coisa sobre quem você era e o que você valorizava. Não havia algoritmo para isso. Havia olhar, ouvido e o respeito genuíno de quem entende.

O Gol GTI, por exemplo, chegou em 1988 com injeção eletrônica, suspensão rebaixada e 110 cavalos num país onde isso era quase um absurdo para um carro acessível. Para quem estava na rua naquele momento, ver um GTI passando não era uma experiência banal. Era um evento.

O que um racha de rua ensinava que nenhuma revista ensinava?

Antes de existir YouTube, antes de existir qualquer fórum online, o conhecimento sobre carros se transmitia de um jeito muito mais direto: pessoalmente, nas ruas, nos encontros informais que aconteciam em avenidas largas e estradas na saída das cidades. Os rachas de rua tinham uma reputação complicada, mas para quem estava dentro daquele universo, a lógica era outra. Era sobre conhecer o carro do outro, respeitar a preparação, aprender com quem sabia mais.

Mario Augusto de Castro
Mario Augusto de Castro

Na visão de Mário Augusto de Castro, esses encontros formavam uma escola que nenhuma oficina substituía. Você via de perto o que uma boa regulagem de carburador fazia na largada. Entendia por que determinada relação de câmbio fazia diferença. Percebia que dirigir bem era uma habilidade que se construía, não algo que vinha junto com o carro.

Perfis como o @rachas_das.antigas no Instagram mostram que essa memória não morreu, e que ela interessa a muito mais gente do que só os que viveram. As fotos, os vídeos granulados e os relatos que circulam nessas comunidades digitais revelam uma geração mais nova completamente fascinada por uma época que não viu, mas que sente como própria.

Por que esses carros só ficam mais valiosos

Tem uma lógica simples no mercado de clássicos nacionais que qualquer entusiasta percebe com o tempo: o que já era raro fica mais raro. Os exemplares bem conservados de um Maverick Sprint ou de um Opala SS não estão sendo fabricados de novo. Cada ano que passa, a quantidade de carros em bom estado diminui um pouco, e a demanda de quem quer um só cresce.

Mário Augusto de Castro explica que entrar nesse mercado sem pressa e com o conhecimento certo faz toda a diferença. Um carro que parece barato por fora pode esconder uma restauração cara pela frente. Um carro um pouco mais caro, mas com histórico limpo e peças originais, costuma ser o melhor negócio no longo prazo. Quem coleciona por amor aprende isso cedo e nunca esquece.

Os encontros e feiras espalhados pelo Brasil são o melhor lugar para começar. Ali a conversa é franca, o conhecimento circula sem filtro e, quase sempre, alguém tem exatamente a informação que você precisava.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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