Educação sem grades: plataforma criada em presídio transforma vidas em João Pessoa

Xanus Nekka
By Xanus Nekka 5 Min Read

Em meio aos muros altos do presídio feminino Júlia Maranhão, em João Pessoa, nasceu uma semente de transformação que começa a romper os limites da exclusão social. A plataforma de estudos criada por uma reeducanda da unidade prisional é mais que um projeto educativo: é um grito de esperança para milhares de pessoas privadas de liberdade. Desenvolvida por Marília Carvalho, que cumpre pena há cinco anos, a plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional representa um marco na luta pela ressocialização por meio da educação.

A plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional foi idealizada com o objetivo de oferecer acesso a materiais educativos, cursos profissionalizantes e mentorias, mesmo sem conexão com a internet. Batizada de ReeduTec, a ferramenta é offline, segura e adaptada às necessidades do ambiente carcerário. Ela inclui conteúdos voltados à educação básica, preparação para o Enem PPL e Encceja, além de noções de empreendedorismo e orientação com profissionais experientes, ampliando as possibilidades de reinserção social e profissional.

A criação da plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional é ainda mais significativa ao se considerar que Marília iniciou sua formação superior dentro do cárcere. Cursando Administração e Engenharia de Software na modalidade de ensino a distância, ela tornou-se a primeira interna da unidade a alcançar esse nível educacional. O exemplo deu frutos: hoje já são cinco as mulheres em situação de prisão que seguem o mesmo caminho, buscando nos livros e nas telas um futuro possível.

O reconhecimento à iniciativa veio com força. Entre mais de três mil inscritos no Prêmio LED, organizado por uma grande emissora de TV e uma fundação educacional, a plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional foi selecionada entre os 20 projetos finalistas. Marília, a idealizadora, foi a única pessoa privada de liberdade a alcançar essa posição de destaque, comprovando que a criatividade e o desejo de mudança não conhecem algemas.

A diretora do presídio, Cynthia Almeida, enfatiza o impacto da plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional no ambiente da unidade. Segundo ela, a ampliação da educação básica e superior dentro das prisões é um fator decisivo para a redução da reincidência criminal. A experiência de Marília se tornou símbolo dessa nova política de ressocialização, pautada na construção de um novo projeto de vida através do conhecimento.

A história de Marília emociona. Ao falar sobre a plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional, ela revela seu sonho de que o projeto possa reconstruir os futuros daqueles que foram esquecidos pela sociedade. Para ela, a educação já começa a fazer o que o sistema muitas vezes falha em realizar: dar dignidade, sentido e perspectivas a quem perdeu o rumo. Sua fala toca como um poema de resistência em tempos de exclusão.

Pesquisas do Departamento Penitenciário Nacional apontam que a ausência de escolaridade é uma das causas principais da reincidência criminal no Brasil. A plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional surge como um antídoto contra esse ciclo vicioso. Ao oferecer uma segunda chance por meio da aprendizagem, ela ajuda a quebrar as correntes invisíveis que mantêm presos os que saíram da cela, mas ainda vivem cercados pelo preconceito e pela falta de oportunidades.

Educadores e especialistas reconhecem a importância dessa iniciativa. A professora de história Olga Veiga defende que a educação no sistema prisional é essencial, pois resgata direitos básicos negados durante a vida. A plataforma de estudos para pessoas dentro do sistema prisional, portanto, não é apenas uma ferramenta pedagógica — é um gesto político, um ato de justiça social e uma prova concreta de que onde há saber, pode haver liberdade.

Autor: Xanus Nekka

Share This Article
Leave a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *