A confirmação da situação de emergência em três municípios da Paraíba reflete um momento de grave vulnerabilidade hídrica que exige atenção imediata, estrutural e social. A decisão do Governo Federal, assinada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, legitima a gravidade da seca prolongada, abrindo caminho para assistência imprescindível à população que sofre com a escassez de água. Esse gesto institucional demonstra que a crise hídrica na região paraibana não é apenas pontual, mas sistêmica, e requer apoio maciço para garantir a sobrevivência e dignidade das famílias.
Nazarezinho, Salgado de São Félix e São José da Lagoa Tapada são os municípios atingidos por essa portaria recente. Esses locais, tradicionalmente marcados por baixos índices pluviométricos, enfrentam dificuldades severas para manter o abastecimento regular de água potável, o que compromete não só o consumo doméstico, mas também a agricultura local, principal fonte de sustento para muitas comunidades rurais. A ausência de chuvas agrava ainda mais a situação, tornando o reconhecimento federal uma medida urgente.
Com o reconhecimento, as prefeituras dessas cidades ficam aptas a solicitar recursos federais destinados a ações emergenciais. Esses recursos destinam-se a medidas essenciais, como a compra de água potável, a distribuição de cestas básicas, kits de limpeza e higiene, e também a suporte para trabalhadores envolvidos nas operações de socorro. Essa assistência imediata é vital para mitigar os impactos mais agudos da seca e proteger especialmente aqueles que têm menor poder aquisitivo.
A burocracia para acessar esse suporte, no entanto, exige que os pedidos sejam formalizados via Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), plataforma da Defesa Civil Nacional. Esse sistema permite que os municípios enviem planos de trabalho detalhados para justificar os valores solicitados e demonstrar a real necessidade de recursos. Somente com um plano bem estruturado, as prefeituras conseguem traduzir a urgência local em solicitações eficazes para o Governo Federal.
Além disso, a situação de emergência por estiagem acende um alerta sobre a capacidade institucional local para reagir a desastres climáticos. Muitas cidades do Semiárido já enfrentam a seca como rotina, o que exige planejamento de longo prazo — não só para mitigar os efeitos imediatos, mas para construir resiliência. Investir em infraestrutura hídrica, adutoras, cisternas e rede de abastecimento pode ser tão decisivo quanto a ajuda emergencial, porque combate a raiz do problema.
Para a população afetada, a medida representa uma oportunidade para respirar mais aliviada, ao menos por enquanto. A chegada de recursos federais pode reduzir o desespero diário pela água e permitir que famílias se organizem para resistir até que a chuva volte, sem depender apenas de caminhões-pipa improvisados. A regularização desse apoio é também uma forma de conter a migração forçada e a insegurança social que costumam assombrar regiões rurais durante secas severas.
No entanto, é imprescindível que esse reconhecimento de emergência seja acompanhado de monitoramento rigoroso e transparência. Os recursos liberados devem ser aplicados de forma eficiente, com prestação de contas clara, para que cada centavo enviado pela União gere impacto real e duradouro. Também é necessário que as prefeituras mantenham diálogo constante com as comunidades, assegurando que as ações previstas atendam às necessidades mais urgentes das pessoas.
Por fim, esse momento reforça a urgência de políticas públicas mais robustas de convivência com o semiárido. Reconhecer a emergência é um passo fundamental, mas construir sistemas de abastecimento resilientes e promover a sustentabilidade hídrica deve ser prioridade para garantir um futuro mais seguro para cidades como Nazarezinho, Salgado de São Félix e São José da Lagoa Tapada. A crise de agora pode ser o impulso para transformações estruturais que protejam vidas e promovam dignidade.
Autor: Xanus Nekka
