Paralisação mantém serviços afetados no estado, enquanto julgamento nesta quinta-feira deve definir os próximos passos do movimento e os impactos no atendimento postal.
A paralisação dos trabalhadores dos Correios na Paraíba completa mais de dez dias nesta terça-feira (22) sem qualquer sinal de acordo entre a categoria e a direção da estatal. Iniciado na madrugada de 11 de setembro, o movimento se mantém firme depois que os próprios trabalhadores decidiram, em assembleia realizada na última segunda-feira (21), continuar com a paralisação até que a Justiça do Trabalho se manifeste sobre o caso. A expectativa agora recai sobre o julgamento do dissídio coletivo, marcado para esta quinta-feira (24), que deve definir os rumos da categoria em todo o país, incluindo o estado paraibano.
A paralisação continua sem prazo para encerrar
Segundo o presidente do Sintect-PB, Tony Sérgio, durante o período de paralisação apenas as atividades administrativas internas dos Correios seguem funcionando normalmente na Paraíba, enquanto o restante da operação permanece parado ou reduzido. A decisão de manter a greve foi tomada pelos próprios trabalhadores durante a assembleia de segunda-feira, que reafirmou a posição já adotada desde o início do movimento, no estado.
O impasse tem se arrastado justamente porque nenhuma das partes cedeu nas negociações. De um lado, o sindicato cobra o cumprimento integral da pauta de reivindicações apresentada à empresa ainda no início do ano. De outro, a direção dos Correios insiste que a solução deve passar pela arbitragem judicial, já que as rodadas de conversa mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) não resultaram em consenso.
Essa indefinição prolongada tem gerado desgaste em ambos os lados. Para os trabalhadores, cada dia adicional de paralisação representa perda salarial, já que a greve não é remunerada. Para a empresa, o movimento reforça um momento já delicado, marcado por dificuldades financeiras e por um plano de reestruturação que estava em curso antes mesmo de a categoria decidir parar.
Como começou a greve e o que os trabalhadores pedem
O movimento paredista na Paraíba foi aprovado em assembleias realizadas em João Pessoa e em Campina Grande na noite de 10 de setembro, com início efetivo à zero hora do dia seguinte. A decisão paraibana acompanhou um movimento nacional: em todo o Brasil, dezenas de sindicatos vinculados à Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) aprovaram a paralisação na mesma data, depois que as negociações salariais com a estatal terminaram sem acordo.
Entre os principais pontos de discórdia está a proposta da empresa para o novo Acordo Coletivo de Trabalho, referente ao biênio 2026/2028. A categoria rejeita mudanças no plano de saúde oferecido aos empregados, temendo que eventuais alterações aumentem os custos para os próprios trabalhadores e reduzam o acesso à assistência médica. O reajuste salarial oferecido pela empresa também não foi considerado suficiente pelos sindicatos.
O pano de fundo da disputa é a própria situação financeira dos Correios. A estatal registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026 e vinha executando um plano de reestruturação que previa o fechamento de agências e o corte de uma gratificação de R$ 500 concedida a funcionários da linha de atendimento ao público. Diante da ameaça de greve, a empresa chegou a suspender temporariamente essas medidas em julho, mas isso não foi suficiente para evitar o movimento paredista de setembro.
A resposta dos Correios e a decisão da Justiça do Trabalho
Diante da falta de acordo, a direção dos Correios recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho já na sexta-feira seguinte ao início da greve, pedindo que a paralisação fosse considerada abusiva e que a Corte determinasse, em caráter de urgência, a manutenção da prestação dos serviços à população. No sábado seguinte, o TST concedeu uma liminar determinando que ao menos 80% do efetivo permanecesse em atividade em cada unidade da empresa, incluindo as unidades de atendimento ao público.
Com a mediação encerrada sem consenso, caberá agora ao tribunal arbitrar tanto o percentual de reajuste salarial quanto as cláusulas sociais do novo acordo coletivo, incluindo o ponto mais sensível para a categoria, que é o plano de saúde. O julgamento do dissídio coletivo está marcado para esta quinta-feira (24) e deve, na prática, encerrar ou não a paralisação, dependendo do resultado.
Em nota, a empresa afirma que tem adotado medidas para reduzir os efeitos da greve sobre a população, como o remanejamento de veículos, a convocação de empregados administrativos para apoiar atividades operacionais e a realização de mutirões de entrega em regiões mais afetadas. Segundo a companhia, as agências seguem abertas ao público em todo o país, ainda que o movimento tenha se espalhado, nos últimos dias, para outras localidades do território nacional.
Impactos para a população paraibana
Para quem depende dos serviços dos Correios no estado, a orientação é procurar diretamente as agências para verificar o andamento de encomendas e correspondências, já que o atendimento presencial segue funcionando, ainda que com possíveis atrasos pontuais dependendo da unidade. Consumidores que aguardam entregas de compras feitas pela internet também podem ser afetados, especialmente em regiões do interior onde a logística depende mais fortemente da estrutura da estatal.
A categoria já vinha sinalizando insatisfação com os rumos da empresa há mais de um ano. Em setembro do ano passado, o próprio Sintect-PB promoveu um ato público em frente ao Centro Operacional dos Correios, em João Pessoa, alertando para o risco de privatização e sucateamento da estatal, além de cobrar a nomeação de servidores concursados. Na ocasião, o sindicato já apontava uma redução de 35% no quadro de funcionários no estado.
Enquanto o julgamento do dissídio não acontece, a expectativa é que a categoria mantenha a mobilização, monitorando de perto qualquer sinalização da Justiça do Trabalho. A resolução do impasse deve definir não apenas o futuro imediato da greve na Paraíba, mas também servir de parâmetro para a relação entre os Correios e seus trabalhadores nos próximos dois anos.
Fontes:
- https://thmais.com.br/cidades/joao-pessoa/cotidiano-joao-pessoa/greve-correios-paraiba-continua-setembro-2026
- https://www.band.com.br/nacional/sp/greve-correios-funcionarios-ocupam-centro-logistico-de-indaiatuba
- https://portaldeprefeitura.com.br/brasil/correios-acionam-tribunal-superior-trabalho-pra-declarar-greve-abusiva/632000/
- https://auniao.pb.gov.br/noticias/caderno_paraiba/manifestantes-defendem-os-correios
