Evento começa nesta segunda-feira (24), em Campina Grande, reúne pesquisadores de diferentes estados e da França e coloca preservação do patrimônio natural e desenvolvimento sustentável no centro das discussões
A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) inicia nesta segunda-feira, 24 de agosto, em Campina Grande, a quarta edição do Workshop de Geomorfologia e Geoarqueologia do Nordeste, evento científico que segue até o dia 29 e pretende ampliar as discussões sobre preservação do patrimônio natural e criação de geoparques no estado. Organizado por meio do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e do Departamento de Geografia, o encontro reúne estudantes, pesquisadores, profissionais e interessados nas geociências para discutir formas de reconhecer, preservar e aproveitar de maneira sustentável territórios paraibanos que apresentam características geológicas e geomorfológicas relevantes. (PBAgora)
Com o tema “Geopatrimônio, geoconservação e desenvolvimento territorial sustentável”, o workshop recebe pesquisadores provenientes dos nove estados do Nordeste? Não: segundo a programação divulgada, há participantes de sete estados nordestinos, além de representantes do Paraná, Rio Grande do Sul e da França. A diversidade de instituições e regiões presentes permite comparar experiências relacionadas à conservação do patrimônio geológico e à transformação desses espaços em instrumentos de educação ambiental, pesquisa científica e desenvolvimento das comunidades locais. Cerca de 150 pessoas já haviam confirmado participação no encontro. (PBAgora)
A programação inclui palestras, minicursos e mesas-redondas, além de uma atividade de campo prevista para o encerramento. A palestra de abertura está marcada para as 15h desta segunda-feira e será conduzida pelo professor Adriano Figueiró, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que também coordena o Geoparque Mundial da Unesco Quarta Colônia, no Rio Grande do Sul. Entre os convidados internacionais está Lionel Siame, da Universidade Aix-Marseille, na França, que participa das discussões envolvendo antropogeomorfologia, educação e desastres socioambientais. (PBAgora)
Paraíba tem três territórios apontados com potencial para geoparques
Um dos principais assuntos que serão discutidos durante o encontro é a possibilidade de criação de geoparques na Paraíba. De acordo com Rafael Xavier, professor da UEPB e vice-presidente da União da Geomorfologia Brasileira, existem pelo menos três áreas paraibanas com características que justificam estudos voltados a esse reconhecimento. Entre elas estão o Cariri Paraibano, onde se encontra o Lajedo do Pai Mateus, em Cabaceiras; o Parque Estadual da Pedra da Boca, em Araruna; e a região do Rio do Peixe, que inclui Sousa e o conhecido Vale dos Dinossauros. (PBAgora)
Esses territórios apresentam elementos naturais capazes de contar diferentes partes da história geológica da região. Formações rochosas, características do relevo e registros paleontológicos transformam essas áreas em espaços relevantes não somente para visitantes, mas também para universidades e pesquisadores. No caso do Vale dos Dinossauros, por exemplo, o patrimônio paleontológico ajuda a demonstrar como a geodiversidade pode funcionar simultaneamente como objeto de pesquisa, instrumento educacional e atração turística.
O potencial paraibano também já foi identificado em levantamentos relacionados aos recursos geológicos brasileiros. Conforme destacado durante a divulgação do workshop, estudos da antiga Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, atual Serviço Geológico do Brasil, identificaram áreas no estado com condições para avançar em projetos de geoparques. O desafio, entretanto, envolve transformar esse potencial natural em projetos estruturados que conciliem conservação ambiental, pesquisa científica, participação das comunidades e desenvolvimento econômico sustentável. (PBAgora)
O que significa transformar uma região em geoparque?
Um geoparque não representa simplesmente a criação de uma nova atração turística. O conceito envolve territórios que possuem patrimônio geológico de importância relevante e adotam estratégias integradas de conservação, educação e desenvolvimento sustentável. Quando um território alcança reconhecimento internacional como Geoparque Mundial da Unesco, seus elementos geológicos passam a integrar uma rede global que procura proteger áreas consideradas importantes para a compreensão da história natural do planeta.
Para alcançar esse tipo de reconhecimento, porém, não basta que uma região possua formações rochosas diferenciadas ou sítios paleontológicos. É necessário desenvolver mecanismos de conservação e envolver as comunidades que vivem nesses territórios. Cultura regional, turismo responsável, educação ambiental, manifestações populares e atividades econômicas sustentáveis fazem parte dessa estratégia. É justamente essa integração entre patrimônio natural e desenvolvimento territorial que aparece como um dos eixos centrais do workshop realizado pela UEPB. (PBAgora)
Na Paraíba, essa discussão ganha importância porque algumas das áreas apontadas como potenciais geoparques já possuem fluxo turístico e reconhecimento regional. O Lajedo do Pai Mateus e a Pedra da Boca são exemplos de ambientes que atraem visitantes por suas características naturais, enquanto o Vale dos Dinossauros possui importância paleontológica consolidada. Estruturar esses territórios dentro de uma estratégia de geoconservação poderia ampliar sua projeção e, ao mesmo tempo, estabelecer mecanismos adicionais para proteger os elementos que justificam sua relevância.
Turismo sustentável pode ajudar na preservação do patrimônio natural
Outro ponto importante das discussões é a relação entre turismo e conservação ambiental. Embora o aumento da visitação possa gerar pressão sobre determinados ambientes, um modelo de turismo planejado e acompanhado pelas comunidades locais também pode criar incentivos econômicos para preservar áreas naturais. Serviços de hospedagem, alimentação, transporte, guias turísticos e produção artesanal podem gerar renda para moradores sem exigir necessariamente a exploração intensiva dos recursos naturais existentes nesses territórios.
Segundo Rafael Xavier, atividades humanas estão entre os principais desafios para a conservação desses espaços. A exploração comercial inadequada, o desmatamento e processos de erosão podem comprometer o patrimônio natural e afetar ecossistemas da Caatinga. Ao mesmo tempo, determinadas características do relevo dificultam atividades agropecuárias intensivas em algumas dessas regiões, o que contribuiu historicamente para preservar determinadas formações naturais. O crescimento do turismo de natureza surge, nesse cenário, como uma alternativa que pode combinar atividade econômica e conservação quando realizado de maneira responsável. (PBAgora)
A participação das comunidades é considerada essencial nesse processo porque são os moradores que convivem permanentemente com os territórios candidatos a geoparques. Projetos que incorporam empreendedores locais, associações, escolas e produtores podem distribuir melhor os benefícios econômicos gerados pelo turismo e aumentar o interesse coletivo na proteção ambiental. Dessa maneira, preservar uma formação geológica deixa de ser apenas uma preocupação acadêmica e passa a integrar uma estratégia de desenvolvimento regional.
Atividade na Pedra da Boca encerra programação
O workshop seguirá até 29 de agosto e será encerrado com uma atividade de campo no Parque Estadual da Pedra da Boca, em Araruna. A visita será orientada pelo professor Marco Túlio Mendonça, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da UEPB e à Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A atividade permitirá que os participantes observem diretamente elementos geomorfológicos e ambientais discutidos durante as palestras e mesas realizadas em Campina Grande. (PBAgora)
A escolha da Pedra da Boca para o encerramento também possui relação direta com um dos objetivos do encontro. O local está justamente entre os três territórios paraibanos apontados como potenciais áreas para projetos de geoparques. Dessa forma, os pesquisadores poderão relacionar os conceitos apresentados durante o evento às características reais de uma região que reúne patrimônio natural, turismo e desafios relacionados à conservação.
Ao colocar a criação de geoparques no centro das discussões, o encontro realizado pela UEPB amplia um debate que envolve ciência, meio ambiente, turismo e economia regional. Para a Paraíba, o reconhecimento e a conservação de áreas como o Cariri, Pedra da Boca e Rio do Peixe podem representar uma oportunidade de proteger patrimônios naturais enquanto novas atividades econômicas são desenvolvidas de maneira sustentável. O workshop iniciado nesta segunda-feira busca justamente aproximar conhecimento científico, comunidades e instituições para discutir os caminhos necessários para transformar esse potencial em projetos estruturados.
Fonte
PB Agora — Workshop vai debater Geomorfologia e Geoarqueologia do Nordeste na UEPB em Campina Grande
