Governador reagiu a críticas da oposição e, um dia antes, havia reunido 14 partidos aliados em João Pessoa para discutir estratégias eleitorais.
A poucos meses das eleições de outubro, a política paraibana ganhou mais um capítulo de embate direto entre governo e oposição. O governador Lucas Ribeiro (PP) rebateu, nesta terça-feira (14), críticas de adversários que apontam suposta influência do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), seu tio, nas decisões da gestão estadual. Em entrevista à CBN João Pessoa, o governador afirmou que os ataques surgem justamente porque a oposição não encontra questionamentos sobre sua conduta administrativa ou pessoal. A declaração vem um dia depois de Lucas Ribeiro reunir representantes de 14 partidos da base aliada na capital paraibana, em um movimento que formaliza a estrutura de apoio político do governo às eleições de 2026, quando o estado escolhe novo governador, senador e representantes no Legislativo.
O que motivou a resposta do governador
As acusações da oposição giram em torno do papel que o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, tio do governador, teria na condução da administração estadual. Lucas Ribeiro rejeitou essa leitura e afirmou que toda decisão administrativa é de sua exclusiva responsabilidade. Segundo ele, os ataques não passam de tentativas de construir narrativas para desgastar sua imagem, já que não haveria, em sua avaliação, questionamentos concretos sobre sua atuação à frente do governo.
O contexto familiar é conhecido no cenário político paraibano. Lucas Ribeiro é filho da senadora Daniella Ribeiro, sobrinho de Aguinaldo Ribeiro e neto do ex-deputado Enivaldo Ribeiro, uma família com longa tradição na política do estado. Justamente por isso, episódios como esse tendem a repetir-se ao longo da campanha, com a oposição buscando associar o governador a uma suposta dependência de figuras mais experientes do próprio partido.
Para o governo, esse tipo de crítica funciona como um teste de narrativa às vésperas do período eleitoral. Reforçar publicamente a autonomia nas decisões é uma forma de blindar a candidatura à reeleição contra o argumento de que Lucas Ribeiro seria apenas um nome de continuidade sem protagonismo próprio, argumento que costuma ser usado por adversários em disputas que envolvem sucessão dentro do mesmo grupo político.
A articulação política antes das eleições
Um dia antes da entrevista à CBN, Lucas Ribeiro já havia dado um passo relevante na organização de sua campanha. Nesta segunda-feira (13), o governador reuniu em João Pessoa representantes de 14 partidos aliados e formalizou a criação de um conselho político voltado à articulação do grupo para o pleito deste ano. A instância deve coordenar discussões sobre estratégias eleitorais, composição de chapas e ações conjuntas ao longo da campanha.
Esse tipo de movimento costuma anteceder decisões importantes, como a definição de vice na chapa e o desenho das coligações que vão disputar o governo estadual. A escolha do vice-governador, inclusive, é um dos pontos observados de perto por analistas políticos locais, já que a representatividade da capital e da região metropolitana de João Pessoa tende a pesar na formação da chapa.
Ao unir a resposta às críticas da oposição com a formalização do conselho de partidos aliados, o governador sinaliza que pretende centralizar tanto o discurso quanto a organização da campanha em torno de sua própria liderança, evitando que a disputa eleitoral seja lida como uma queda de braço interna dentro do próprio grupo governista.
O que está em jogo até outubro
A eleição para governador da Paraíba está marcada para 4 de outubro de 2026, e Lucas Ribeiro se apresenta como pré-candidato à reeleição. Até lá, episódios como o embate com a oposição sobre a influência do tio devem se repetir, especialmente porque decisões consideradas polêmicas do governo tendem a ser associadas ao entorno familiar do governador pelos adversários políticos.
Para o eleitor paraibano, o que importa observar nos próximos meses é como o governo vai equilibrar a defesa de sua autonomia administrativa com a necessidade de manter uma base aliada coesa, formada por 14 legendas diferentes. Esse equilíbrio costuma ser um dos principais desafios de qualquer governo em ano eleitoral, já que interesses distintos dentro da própria base podem gerar atritos que acabam vindo a público.
O episódio desta semana reforça que a disputa pelo governo da Paraíba já começou, mesmo faltando meses para a votação oficial. Entre acusações da oposição e movimentos de organização da base aliada, o cenário político do estado deve seguir aquecido, com governo e adversários disputando espaço no debate público sobre quem realmente comanda as decisões em João Pessoa.
Fontes consultadas:
https://www.polemicaparaiba.com.br/politica/lucas-rebate-oposicao-e-nega-influencia-de-aguinaldo-no-governo-governador-sou-eu/
https://fonte83.com.br/politica/eleicoes-2026/lucas-ribeiro-sobe-o-tom-reage-a-criticas-sobre-influencia-de-aguinaldo-no-comando-do-governo-e-reforca-o-governador-sou-eu/
https://mauriliojunior.com/2026/07/13/lucas-ribeiro-formaliza-conselho-com-partidos-aliados-para-as-eleicoes/
