Concretos de baixo carbono: inovação em materiais de construção

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 5 Min de leitura
Valderci Malagosini Machado

A busca por alternativas que reduzam a pegada de carbono da construção civil tem impulsionado pesquisas e investimentos em novos traços e composições de concreto. O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, elucida que essa transformação parte da substituição parcial do cimento Portland tradicional por materiais cimentícios suplementares, capazes de manter desempenho estrutural com menor emissão de gases de efeito estufa durante o processo de fabricação.

O cimento Portland responde por parcela significativa das emissões globais associadas à indústria da construção, principalmente em razão do processo de calcinação do calcário, etapa que libera grande volume de dióxido de carbono. Reduzir essa dependência sem comprometer a resistência e a durabilidade das estruturas tornou-se um dos principais desafios técnicos enfrentados por fabricantes de materiais cimentícios nos últimos anos.

O que caracteriza um concreto de baixo carbono?

Concretos de baixo carbono incorporam materiais como cinza volante, escória de alto-forno e pozolanas naturais, substituindo parte do cimento Portland sem alterar significativamente as propriedades mecânicas do material final. Essa substituição reduz o volume de clínquer necessário na produção, componente responsável pela maior parte das emissões associadas à fabricação convencional do cimento.

O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, alude ao fato de que a viabilidade desses traços alternativos depende de testes laboratoriais criteriosos, já que a proporção entre os materiais substitutos e o cimento tradicional influencia diretamente o tempo de cura, a resistência inicial e o comportamento da estrutura ao longo de sua vida útil. Cada aplicação exige ajustes específicos conforme as características do projeto.

Como esses concretos impactam a resistência das estruturas?

Estudos técnicos têm demonstrado que concretos formulados com materiais cimentícios suplementares podem apresentar resistência equivalente, e em alguns casos superior, à de traços convencionais em idades mais avançadas, ainda que o ganho de resistência inicial costume ser mais lento. Esse comportamento exige planejamento adequado do cronograma de desforma e liberação de cargas durante a execução da obra.

Valderci Malagosini Machado
Valderci Malagosini Machado

O engenheiro Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, relata que a durabilidade também tende a se beneficiar dessas formulações, já que determinados materiais suplementares reduzem a porosidade do concreto endurecido, dificultando a penetração de agentes agressivos responsáveis pela corrosão de armaduras. Essa característica amplia a vida útil de estruturas expostas a ambientes mais agressivos, como regiões litorâneas.

Quais barreiras ainda limitam a adoção em larga escala?

A disponibilidade regional de materiais substitutos, como cinza volante e escória siderúrgica, varia conforme a presença de termelétricas e siderúrgicas próximas ao local de produção, o que pode encarecer o transporte e reduzir a viabilidade econômica em determinadas regiões do país. Essa limitação logística ainda representa obstáculo relevante para a popularização desses traços alternativos.

O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, descreve que a falta de normatização específica para alguns traços de baixo carbono também gera insegurança entre projetistas e construtoras, que preferem soluções já consolidadas em normas técnicas vigentes. A evolução regulatória tende a ser fator determinante para acelerar a adoção desses materiais em projetos de maior escala, especialmente naqueles que dependem de aprovação técnica formal por parte de órgãos fiscalizadores.

Esse avanço tende a se consolidar na construção civil brasileira?

O interesse crescente de incorporadoras por certificações ambientais e selos de sustentabilidade tem funcionado como incentivo adicional para a adoção de concretos de baixo carbono, já que esses materiais contribuem diretamente para a pontuação de empreendimentos em sistemas de avaliação reconhecidos internacionalmente. Esse movimento tende a se intensificar à medida que exigências regulatórias avancem no país.

O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, destaca que a indústria de artefatos de cimento já vem incorporando gradualmente esses traços em sua linha de produção, sinalizando uma transição que deve se consolidar nos próximos anos como resposta tanto a pressões ambientais quanto a demandas crescentes do mercado por soluções construtivas mais responsáveis. Esse processo deve avançar de forma gradual, acompanhando tanto a evolução tecnológica quanto a maturidade regulatória do setor.

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