São João de Campina Grande 2026 fecha com recorde de público e injeta mais de R$ 800 milhões na economia da Paraíba

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 8 Min de leitura

Festa de 33 dias no Parque do Povo projetou 3,52 milhões de visitantes e reforçou estrutura de segurança e hospedagem na cidade.

O São João de Campina Grande 2026 encerrou uma das edições mais movimentadas de sua história, com números que confirmam o peso do evento para a economia da Paraíba. Ao longo de 33 dias de programação, a festa reuniu shows gratuitos, camarotes privados e uma estrutura ampliada no Parque do Povo, no centro da cidade. Mas o que exatamente sustenta a fama de “maior São João do Mundo”, e como esse volume de público se traduz em dinheiro real para comércio, hotelaria e serviços locais? A resposta está nos números divulgados pela própria Prefeitura de Campina Grande.

Muitos moradores e turistas se perguntam se a expansão da festa realmente melhora a experiência de quem participa, ou se apenas aumenta a lotação dos espaços já conhecidos. Entender a lógica por trás da organização de 2026, que passou a integrar dois parques públicos, ajuda a responder essa dúvida com mais precisão.

Uma festa pensada para bater recordes de público

A edição de 2026 foi até 5 de julho, somando 33 dias de duração, conforme registrou o Jornal da Paraíba. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campina Grande (Sede) projetou a presença de 3,52 milhões de pessoas ao longo de todo o período, um crescimento de 10% em relação aos 3,2 milhões de visitantes contabilizados em 2025.

A programação musical também cresceu em volume e identidade regional. Foram 119 atrações no palco principal, sendo que 88 delas têm o forró como gênero central, o equivalente a 73% de toda a grade musical. Essa proporção reforça o compromisso da organização em manter a tradição nordestina como eixo da festa, mesmo diante da pressão para atrair públicos mais jovens com outros ritmos.

A abertura contou com o projeto Dominguinho, reunindo os cantores João Gomes, Mestrinho e Jota Pê em um só palco, atração que ajudou a marcar o tom da programação deste ano. O Parque do Povo, que completa 40 anos de inauguração em 2026, segue como o principal palco da festa, agora somado ao Parque Evaldo Cruz, ao qual foi interligado desde 2024.

Essa integração ampliou a área útil disponível para o público, somando mais de 70 mil metros quadrados entre os dois espaços. Na prática, isso significa mais opções de circulação, praças de alimentação e setores temáticos, o que ajuda a explicar por que a organização aposta em crescimento contínuo de público sem abrir mão da segurança.

Como a festa movimenta hospedagem, comércio e infraestrutura da cidade

Do ponto de vista econômico, a expectativa da Sede é que o São João 2026 injete mais de R$ 800 milhões na economia local, considerando gastos com hospedagem, alimentação, transporte e serviços em geral. Esse volume de recursos impacta diretamente pequenos comerciantes, produtores de comidas típicas e o setor de eventos da cidade, que se prepara meses antes para atender à alta demanda.

O reflexo mais visível dessa procura aparece na rede hoteleira de Campina Grande. Em 2025, a taxa de ocupação dos hotéis já havia chegado a 89% durante o período junino, e a tendência para 2026 era de esgotamento ainda mais precoce das vagas disponíveis, segundo dados do setor. Isso levou o comércio local e o poder público a recomendar reservas antecipadas para quem pretende visitar a cidade durante a festa.

A ampliação da área útil, unindo Parque do Povo e Parque Evaldo Cruz, também foi pensada para aliviar a pressão sobre a infraestrutura urbana durante os dias de maior movimento. Novos polos de alimentação e uma cenografia temática ampliada fazem parte das mudanças que a organização apresentou para esta edição, buscando equilibrar conforto do público com a logística de um evento de grande porte.

Para o poder público municipal, o retorno financeiro do São João também se conecta a outros setores, como geração de empregos temporários e fortalecimento de pequenos negócios ligados ao turismo. Esse ciclo econômico, que se repete todos os anos, tem ganhado peso crescente na estratégia de desenvolvimento da cidade, especialmente diante do crescimento sustentado de público registrado nas últimas edições.

Segurança reforçada e a sintonia com a Copa do Mundo

A expansão de público exigiu também um planejamento mais detalhado de segurança. Segundo os órgãos responsáveis, a capacidade definida para 2026 é 3,68% maior do que a registrada na edição anterior. O Corpo de Bombeiros estabeleceu limites específicos para cada setor do parque: 6.500 pessoas no front stage, 1.500 em um dos camarotes e 660 em outro, além de 68.340 pessoas distribuídas pelas áreas de pista do Parque do Povo e do Parque Evaldo Cruz.

Somando os diferentes setores, mais de 79 mil pessoas podem circular por noite pelo complexo, um volume que exige coordenação constante entre prefeitura, polícia e equipes de saúde durante todo o período da festa. Esse tipo de controle de capacidade tem se tornado prática comum em grandes eventos populares no Brasil, justamente para equilibrar acesso público e segurança.

Outra novidade de 2026 foi a sincronia entre o São João e a Copa do Mundo. Pela primeira vez, o Palco Principal recebeu telões para a transmissão dos jogos da Seleção Brasileira, permitindo que o público acompanhasse as partidas sem deixar de participar da festa. Essa integração entre dois grandes eventos populares no mesmo calendário foi apontada pela organização como um diferencial da edição.

O resultado de 2026 mostra que o São João de Campina Grande consolidou um modelo de crescimento que combina tradição musical, expansão de infraestrutura e planejamento de segurança em escala cada vez maior. Para os próximos anos, a tendência apontada pelo poder público é de manter esse ritmo de expansão, sempre monitorando de perto a relação entre número de visitantes, capacidade dos espaços e retorno econômico para a cidade, que segue como uma das mais importantes referências culturais do Nordeste brasileiro.

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