Desenvolvimento profissional: Por que aprender continuamente virou necessidade?

Roman Kireven
Por Roman Kireven 5 Min de leitura
Gilmar Stelo

O mercado jurídico está mudando em uma velocidade que torna insuficiente depender apenas do conhecimento adquirido na graduação. Novas tecnologias, mudanças regulatórias e diferentes formas de prestação de serviços estão alterando a rotina dos profissionais. Para o Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, esse cenário reforça a necessidade de uma formação jurídica capaz de acompanhar as transformações que afetam a prática profissional.

 

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O conhecimento jurídico deixou de ser suficiente?

A formação jurídica continua sendo a base da atuação profissional, mas o exercício da advocacia passou a exigir competências que não se limitam à interpretação das normas. Comunicação, gestão, tecnologia, análise de informações e capacidade de adaptação ganharam espaço porque interferem diretamente na maneira como o trabalho é realizado. Esse conjunto de habilidades pode influenciar desde a organização da rotina até a forma de atender clientes, construir estratégias e acompanhar novas demandas do mercado jurídico.

 

Essa mudança não significa abandonar o conhecimento tradicional. Pelo contrário. Quanto mais ferramentas automatizadas são utilizadas, maior tende a ser a importância da capacidade de avaliar criticamente aquilo que elas produzem. Um profissional pode utilizar tecnologia para acelerar uma tarefa, mas continua responsável por verificar se o resultado é adequado ao caso concreto. A tecnologia, portanto, pode ampliar a eficiência do trabalho, mas não substitui o conhecimento necessário para identificar inconsistências, interpretar contextos e tomar decisões fundamentadas.

 

O Doutor Gilmar Stelo avalia que esse cenário reforça a importância de uma postura profissional voltada ao aprendizado permanente. A atualização deixa de acontecer apenas quando surge uma nova lei ou uma decisão relevante e passa a fazer parte da própria rotina de quem pretende acompanhar as transformações da profissão. Manter esse processo de desenvolvimento também permite que o profissional reconheça novas ferramentas, compreenda mudanças no mercado e esteja mais preparado para lidar com desafios que surgem ao longo da carreira.

A inteligência artificial mudou o que significa estar preparado?

A expansão da IA tornou o desenvolvimento profissional ainda mais complexo. Não basta aprender a utilizar uma ferramenta. É necessário compreender suas limitações, reconhecer possíveis erros e saber quais informações podem ou não ser inseridas em determinados sistemas. Também é importante entender como os resultados são produzidos e estabelecer critérios para revisar conteúdos antes que eles sejam utilizados em atividades profissionais.

Gilmar Stelo
Gilmar Stelo

Segundo o Doutor Gilmar Stelo, a própria OAB vem tratando a capacitação como parte importante dessa transformação. Em 2026, o Conselho Federal lançou um plano nacional voltado à integração da inteligência artificial na advocacia, com ações de capacitação, orientação e uso ético e seguro da tecnologia. A iniciativa reforça que a adaptação ao novo cenário depende não apenas do acesso às ferramentas, mas também da preparação dos profissionais para utilizá-las de forma responsável e consciente.

Quais competências ganham espaço na carreira?

O profissional jurídico que busca atualização precisa olhar para diferentes áreas ao mesmo tempo. Conhecimentos sobre inteligência artificial, proteção de dados, gestão jurídica e metodologias de trabalho, por exemplo, já fazem parte de iniciativas de capacitação oferecidas pela Escola Superior da Advocacia. Essa ampliação dos campos de conhecimento acompanha a própria transformação da profissão, que passou a envolver ferramentas e desafios que vão além da prática jurídica tradicional.

 

Também ganham importância habilidades que não dependem diretamente de uma ferramenta. Saber formular perguntas, analisar informações, identificar riscos, comunicar argumentos com clareza e compreender as necessidades do cliente são capacidades que continuam dependendo do julgamento humano. Essas competências ajudam o profissional a interpretar situações com maior precisão e a utilizar recursos tecnológicos como apoio, sem transferir a eles responsabilidades que exigem análise e discernimento.

 

De acordo com o Doutor Gilmar Stelo, essa combinação entre conhecimento técnico e novas competências ajuda a compreender por que a atualização profissional não deve ser tratada como atividade eventual. O profissional que aprende continuamente consegue incorporar mudanças de maneira gradual, em vez de precisar reconstruir sua forma de trabalhar sempre que uma transformação chega ao mercado. Esse processo também favorece uma atuação mais preparada para acompanhar novas demandas, ferramentas e formas de relacionamento com clientes ao longo da carreira.

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