Qualidade de vida aos 60, 70 ou 80: O que mudou nas expectativas sobre a terceira idade? Saiba agora com o Doutor Yuri Silva Portela

Roman Kireven
Por Roman Kireven 5 Min de leitura
Yuri Silva Portela

A chegada aos 60 anos já não representa necessariamente o início de uma fase marcada por limitações. O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, acompanha uma mudança importante na forma de enxergar a terceira idade: viver mais passou a vir acompanhado da expectativa de permanecer ativo, independente e capaz de fazer escolhas. Mas o que, de fato, define uma boa qualidade de vida aos 60, 70 ou 80 anos?

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A terceira idade ganhou novos significados? 

A imagem do idoso exclusivamente dependente e afastado das atividades sociais já não representa todas as experiências da velhice. Pessoas chegam à terceira idade em condições muito diferentes, com histórias, necessidades, interesses e níveis de autonomia que não podem ser definidos apenas pela idade. Essa variedade mostra que não existe uma única maneira de envelhecer e que o cuidado precisa considerar as características e escolhas de cada pessoa.

Como assevera o Doutor Yuri Silva Portela, essa diversidade também modificou as expectativas. A aposentadoria pode abrir espaço para novos projetos, enquanto atividades físicas, convivência social, estudos, viagens e participação comunitária podem continuar fazendo parte da rotina. Assim, envelhecer deixou de ser visto apenas como uma etapa de redução de possibilidades e passou a envolver também novas escolhas. O desafio passa a ser garantir condições para que essas escolhas sejam mantidas, respeitando os limites individuais e preservando a autonomia ao longo dos anos.

O que realmente determina a qualidade de vida depois dos 60?

Qualidade de vida não depende exclusivamente da ausência de doenças. Saúde física continua sendo fundamental, mas outros fatores interferem diretamente na maneira como uma pessoa vivencia o envelhecimento. Ter condições de se movimentar, manter relações sociais, dormir adequadamente, cuidar da alimentação e participar de atividades significativas são exemplos que fazem parte desse conjunto.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

Além disso, preservar a autonomia pode mudar completamente a experiência da terceira idade. Conseguir tomar decisões sobre a própria rotina e participar das escolhas relacionadas ao cuidado permite que o idoso continue exercendo um papel ativo na própria vida. O Doutor Yuri Silva Portela aponta justamente a necessidade de compreender o envelhecimento para além dos problemas de saúde que podem surgir com o passar dos anos.

Por que autonomia se tornou uma expectativa tão importante?

Como informa o Doutor Yuri Silva Portela, uma das principais mudanças na maneira de enxergar a terceira idade está relacionada à independência. O objetivo do cuidado não deve ser simplesmente proteger o idoso de qualquer risco, mas encontrar maneiras de oferecer segurança sem retirar capacidades que ainda estão preservadas. Manter a possibilidade de realizar tarefas e participar das próprias decisões pode contribuir para preservar a confiança e o senso de autonomia.

Essa questão também envolve a família. Em determinadas situações, parentes podem assumir tarefas por preocupação e, sem perceber, diminuir a participação do próprio idoso nas decisões. O apoio mais adequado é aquele que considera as necessidades reais da pessoa e respeita aquilo que ela ainda consegue fazer sozinha. Dessa forma, cuidado e autonomia deixam de ser vistos como conceitos opostos. A família pode oferecer suporte quando necessário, sem transformar a proteção em controle sobre a rotina e as escolhas do idoso.

A vida social também influencia o envelhecimento?

Manter vínculos pode ser tão importante quanto manter determinados hábitos de saúde. Conversar com amigos, participar de grupos, realizar atividades culturais, frequentar espaços comunitários ou simplesmente ter uma rotina que envolva outras pessoas ajuda a combater o isolamento e cria oportunidades de participação. Além de favorecer a convivência, esses momentos podem estimular o interesse por novas atividades e ajudar o idoso a manter uma rotina mais ativa e significativa.

Por isso, a qualidade de vida na terceira idade também depende do ambiente ao redor. Uma cidade com espaços acessíveis, serviços próximos e oportunidades de convivência pode facilitar a participação dos idosos. Da mesma maneira, projetos sociais podem criar possibilidades para quem perdeu parte da rede de contatos ao longo dos anos. A atuação do Doutor Yuri Silva Portela à frente do Humaniza Sertão se relaciona justamente com essa dimensão social do cuidado, aproximando a discussão sobre saúde das necessidades concretas das comunidades.

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