Projeto-piloto João Pessoa Resiliente será implantado inicialmente nos bairros Grotão e Cuiá e utilizará inteligência artificial, dados meteorológicos e previsões de curto prazo para antecipar situações de risco
A Prefeitura de João Pessoa está desenvolvendo uma nova ferramenta baseada em inteligência artificial para prever alagamentos e outros eventos climáticos extremos na capital paraibana. Batizado de João Pessoa Resiliente, o projeto-piloto é conduzido pela Unidade Municipal de Tecnologia da Informação (UMTI) e pretende mudar a forma como o município acompanha situações provocadas por chuvas intensas. Em vez de concentrar esforços apenas depois que uma ocorrência já aconteceu, a proposta é utilizar informações meteorológicas e modelos computacionais para identificar riscos antecipadamente e permitir que equipes municipais adotem medidas preventivas. (THMais – Você por dentro de tudo)
A primeira etapa será concentrada em uma área de até dois quilômetros quadrados envolvendo os bairros Grotão e Cuiá, regiões escolhidas devido ao histórico de problemas provocados pelas chuvas. Em agosto de 2025, o Grotão registrou acumulado de 142,6 milímetros em 12 horas, enquanto o Cuiá chegou a 114,4 milímetros no mesmo intervalo. Na ocasião, moradores ficaram ilhados e operações de resgate foram necessárias. Esses episódios ajudaram a direcionar o projeto para áreas onde uma previsão mais rápida pode oferecer informações importantes para a atuação da Defesa Civil e de outros serviços municipais. (THMais – Você por dentro de tudo)
A tecnologia está sendo desenvolvida em parceria com a Sipremo, startup especializada em previsão e monitoramento de desastres naturais. A plataforma acompanhará continuamente variáveis climáticas e utilizará modelos de previsão de curtíssimo prazo, conhecidos como nowcasting, para estimar onde e quando determinados fenômenos podem ocorrer. Além dos alagamentos, a ferramenta poderá acompanhar enxurradas, tempestades com raios, temperaturas extremas e períodos de estiagem, reunindo informações que poderão ser utilizadas pelos gestores municipais durante a tomada de decisões. (THMais – Você por dentro de tudo)
Inteligência artificial pretende antecipar áreas com risco de alagamento
O funcionamento do João Pessoa Resiliente está baseado na capacidade de analisar continuamente informações meteorológicas e transformar esses dados em previsões úteis para as equipes responsáveis pela prevenção e resposta. O sistema de nowcasting trabalha com horizontes temporais curtos, característica importante quando chuvas intensas se formam ou se deslocam rapidamente. Dessa maneira, a administração municipal pretende receber indicações antecipadas sobre possíveis ocorrências e utilizar essas informações para definir prioridades e organizar a atuação em regiões consideradas vulneráveis. (THMais – Você por dentro de tudo)
A inteligência artificial entra justamente na análise e interpretação desse conjunto de informações. Ao acompanhar diferentes variáveis e reconhecer condições associadas à ocorrência de eventos extremos, a plataforma pode apoiar decisões que anteriormente dependiam de uma atuação predominantemente reativa. A intenção não é eliminar o trabalho das equipes técnicas, mas fornecer uma camada adicional de informação para que Defesa Civil e demais setores municipais possam decidir com maior rapidez quando houver possibilidade de chuva severa ou alagamento.
Na fase inicial, uma das metas estabelecidas é alcançar 95% de disponibilidade da plataforma, além de garantir cobertura integral da área escolhida para o teste e reduzir o tempo de resposta diante de ocorrências consideradas críticas. Os profissionais envolvidos também deverão receber capacitação para interpretar e utilizar os dados produzidos pela ferramenta. Os resultados obtidos no Grotão e no Cuiá servirão para avaliar a eficiência da solução antes de uma eventual ampliação para outras partes da cidade. (PBAgora)
Moradores poderão receber alertas por SMS e TV Digital 3.0
Uma das principais novidades previstas pelo projeto está na comunicação direta com a população. O sistema poderá enviar alertas por SMS quando identificar situações que representem risco para determinadas áreas. A ideia é reduzir o intervalo entre a identificação de uma ameaça meteorológica e a chegada das orientações aos moradores, permitindo que as pessoas adotem medidas preventivas antes que um possível alagamento ou outro evento extremo alcance níveis mais críticos. (THMais – Você por dentro de tudo)
Outra possibilidade estudada é utilizar os recursos da TV Digital 3.0 para distribuir avisos com base na localização. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, televisores instalados em regiões consideradas de risco poderão receber alertas específicos e orientações de segurança recomendadas pela Defesa Civil Municipal. A proposta amplia os canais de comunicação disponíveis e pode ser especialmente importante para alcançar moradores que não estejam acompanhando aplicativos ou redes sociais no momento de uma emergência. (PBAgora)
A combinação entre previsão e comunicação é um dos pontos centrais da iniciativa. Saber antecipadamente que determinada área possui risco elevado tem utilidade limitada se a informação não chegar rapidamente às equipes responsáveis e às pessoas potencialmente afetadas. Por isso, o projeto procura conectar monitoramento meteorológico, inteligência artificial, tomada de decisão do poder público e mecanismos de alerta em uma mesma estrutura tecnológica.
Grotão e Cuiá serão laboratório para expansão da tecnologia
A escolha do Grotão e do Cuiá permite testar a plataforma em regiões que já enfrentaram problemas significativos relacionados às chuvas. Os registros de agosto de 2025 ajudam a demonstrar a vulnerabilidade dessas áreas: além dos elevados acumulados registrados em poucas horas, houve moradores ilhados e necessidade de resgates. Com o projeto-piloto, a Prefeitura pretende avaliar se uma combinação de monitoramento contínuo e previsão antecipada consegue melhorar a capacidade de resposta diante de condições semelhantes. (THMais – Você por dentro de tudo)
O teste será realizado em escala relativamente pequena justamente para permitir ajustes antes de uma expansão. A área inicial de até dois quilômetros quadrados deverá funcionar como um laboratório urbano no qual será possível observar a disponibilidade da plataforma, a qualidade das previsões e a capacidade das equipes municipais de incorporar essas informações à rotina operacional. Caso os resultados sejam considerados positivos, a experiência poderá orientar a implantação da tecnologia em outros pontos vulneráveis de João Pessoa. (PBAgora)
A expectativa apresentada pela administração municipal vai além da capital paraibana. Os resultados do projeto poderão contribuir para a criação de um modelo replicável em outros municípios litorâneos do Nordeste, que também enfrentam episódios de chuvas intensas e alagamentos urbanos. A experiência de João Pessoa poderá, portanto, ajudar a demonstrar de que forma ferramentas de inteligência artificial podem ser incorporadas às políticas de adaptação e resiliência climática das cidades. (PBAgora)
Projeto integra rede nacional de cidades que utilizam inteligência artificial
O João Pessoa Resiliente integra a Coalizão de Cidades com Inteligência Artificial do Brasil (CIIAR Brasil), iniciativa que reúne dez municípios brasileiros para desenvolver projetos relacionados à utilização da IA na administração pública. Além de João Pessoa, fazem parte da coalizão Belém, Florianópolis, Fortaleza, Guarujá, Maringá, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Teresina. Juntas, essas cidades representam mais de 15 milhões de habitantes distribuídos por dez estados e quatro regiões brasileiras. (PBAgora)
Os projetos desenvolvidos pelos municípios tratam de diferentes desafios públicos, incluindo resiliência climática, sustentabilidade urbana e atendimento aos cidadãos. A coalizão é coordenada no país pela Rede de Inovação Local (RIL Brasil) e integra o Programa GovTech Connect, do BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Entre agosto e dezembro de 2026, as cidades participantes deverão avançar na implantação de seus respectivos projetos com acompanhamento técnico. (PBAgora)
Em João Pessoa, o piloto possui investimento total informado de US$ 3 mil, coberto integralmente pelo incentivo do Programa GovTech Connect. Segundo a administração municipal, nesta etapa não haverá aporte financeiro do município. O valor relativamente reduzido para a fase experimental também permite testar a viabilidade da tecnologia antes de decisões relacionadas a uma implantação em escala maior. (THMais – Você por dentro de tudo)
Tecnologia pode mudar resposta da cidade aos eventos climáticos extremos
A implantação da inteligência artificial ocorre em um momento em que municípios brasileiros buscam ampliar sua capacidade de enfrentar eventos meteorológicos extremos. Em cidades densamente urbanizadas, chuvas intensas podem provocar rapidamente problemas de drenagem, interrupções no trânsito, alagamentos e riscos para moradores de áreas vulneráveis. Nesse cenário, antecipar onde uma ocorrência poderá acontecer pode ajudar gestores a posicionar equipes, emitir alertas e organizar medidas preventivas com maior antecedência.
O João Pessoa Resiliente representa uma tentativa de incorporar essa lógica à gestão municipal. Em vez de utilizar tecnologia apenas para registrar uma ocorrência depois que ela acontece, o projeto procura usar dados e modelos preditivos para antecipar cenários. A diferença é relevante porque alguns minutos adicionais podem ampliar as possibilidades de preparação em determinadas situações, embora a eficiência real da plataforma ainda precise ser comprovada durante a fase piloto.
Com os primeiros testes previstos para Grotão e Cuiá, João Pessoa passa a experimentar uma aplicação prática da inteligência artificial na gestão de riscos urbanos e climáticos. Caso o projeto alcance os resultados esperados, a tecnologia poderá ser ampliada para outras áreas da capital e contribuir para experiências semelhantes em outras cidades. A iniciativa coloca a IA não apenas como ferramenta de automação administrativa, mas como recurso para apoiar decisões públicas diretamente relacionadas à segurança e à capacidade de resposta da cidade diante de eventos extremos. (THMais – Você por dentro de tudo)
Fontes
TH+ SBT — Como vai funcionar a inteligência artificial que promete prever alagamentos em João Pessoa
PB Agora — Inteligência Artificial vai ajudar a prever alagamentos em João Pessoa
